25 ANOS DE IOWA

25 ANOS DE IOWA

25 ANOS DE IOWA

28/08/26

IOWA 25TH ANNIVERSARY


O álbum que transformou a dor do Slipknot em legado

Há 25 anos, o Slipknot lançava Iowa, um dos álbuns mais intensos, sombrios e influentes da história do
metal moderno. Produzido pela própria banda em parceria com Ross Robinson, o disco chegou às lojas em
28 de agosto de 2001 e representou o segundo capítulo de uma carreira que havia começado de maneira
explosiva com o álbum 
Self-Titled de 1999.
Mais do que uma simples continuação, Iowa foi o retrato de uma banda pressionada pelo sucesso, pelo
excesso e pelas expectativas colocadas sobre seus ombros. O Slipknot havia passado de uma promessa do
underground a um dos maiores nomes do metal mundial. Em vez de suavizar sua abordagem, o grupo
mergulhou ainda mais fundo na raiva, na frustração e no caos que já faziam parte de sua identidade.


Um álbum moldado pelo caos

A produção de Iowa ficou marcada por um ambiente extremamente difícil. O processo de gravação
aconteceu em meio a conflitos internos, exaustão, dependência química e à pressão de superar o impacto
do primeiro disco. Anos mais tarde, integrantes da banda descreveriam aquele período como um dos
momentos mais sombrios de sua trajetória.
Essa tensão está presente desde os primeiros segundos do álbum. “(515)” abre o disco com uma
atmosfera perturbadora com os gritos agonizantes de Sid Wilson, antes de iniciar o clássico “People = Shit”, uma declaração de guerra que resume a
agressividade do trabalho. A faixa não funciona apenas como música de abertura: ela estabelece a lógica
de
Iowa. Não há espaço para conforto, descanso ou concessões.
Em seguida, “Disasterpiece” amplia a sensação de violência sonora com guitarras cortantes, bateria veloz e
uma interpretação furiosa de Corey Taylor. “The Heretic Anthem”, por sua vez, transformou-se em um dos
maiores hinos da banda, especialmente por causa de seu refrão inesquecível: “If you’re 555, then I’m 666”


Entre a brutalidade e a melodia

Apesar de sua reputação como o álbum mais pesado do Slipknot, Iowa não é formado apenas por
velocidade e agressividade. O disco também possui momentos de melodia, vulnerabilidade e atmosfera,
principalmente em faixas como “Left Behind”, “My Plague” e “Gently”.
Left Behind” foi o principal single do álbum e tornou-se uma das músicas mais conhecidas da carreira
do grupo. Seu refrão melódico ajudou a levar o Slipknot a um público ainda maior sem eliminar o peso
da banda. “My Plague”, lançada como single em 2002, também ganhou grande repercussão, especialmente
após o lançamento de uma versão remixada para as rádios e de seu videoclipe associado ao filme
Resident Evil.
Essa combinação entre brutalidade e melodia foi fundamental para a longevidade do disco.
Iowa podia
ser extremo o suficiente para satisfazer os fãs do metal mais agressivo, mas ainda apresentava momentos
capazes de alcançar ouvintes que talvez não se identificassem imediatamente com suas faixas mais
violentas.


As músicas que se tornaram clássicos

Embora “Left Behind” e “My Plague” tenham sido os singles oficiais, outras faixas se tornaram ainda mais
importantes para o legado do álbum. “People = Shit”, “Disasterpiece” e “The Heretic Anthem” permanecem
entre as músicas mais celebradas pelos fãs e continuam sendo associadas à fase mais intensa da banda.
A faixa-título, “Iowa”, ocupa uma posição especial. Com mais de quinze minutos de duração, ela
encerra o álbum como uma experiência sufocante e quase ritualística. É uma composição lenta, sombria
e desconfortável, construída para deixar o ouvinte exausto. Em vez de terminar com uma explosão
convencional, o Slipknot escolheu fechar o disco dentro de uma atmosfera de desespero.

“People = Shit”
Um dos maiores hinos ao vivo e a declaração
mais direta da raiva do álbum.

“Disasterpiece”
Uma das músicas mais rápidas, técnicas e
agressivas do repertório da banda.

“The Heretic Anthem”
Clássico absoluto dos shows, reconhecido por
seu refrão marcante.

“Left Behind”
Principal single e faixa de maior alcance
radiofônico.

“My Plague”
Segundo single, impulsionado pelo remix e pelo
videoclipe ligado a Resident Evil.

“Iowa”
Encerramento épico, sombrio e experimental,
com mais de quinze minutos.

A recepção da crítica em 2001

A recepção crítica foi positiva, mas não unânime. Muitos jornalistas reconheceram a força, a densidade e
a brutalidade do álbum. Ao mesmo tempo, alguns consideraram que o Slipknot havia levado a fórmula do
disco de estreia ao extremo sem apresentar evolução suficiente.
O
Drowned in Sound, em uma resenha publicada antes do lançamento, destacou que Iowa era ainda
mais agressivo e odioso que o álbum anterior. A publicação elogiou a intensidade de “People = Shit”,
“Disasterpiece” e “The Heretic Anthem”, mas criticou o disco por ser repetitivo, unidimensional e carente
de maior dinâmica.
A crítica de John Mulvey para o Yahoo! Music resumiu essa divisão ao chamar
Iowa de “o triunfo absoluto
do nu metal”, mas também de um “beco sem saída evolutivo”.
A frase capturou perfeitamente a posição
do álbum naquele momento: ele era visto como uma das expressões máximas do nu metal, mas também
como um trabalho que levava as características do gênero a um limite difícil de ultrapassar.
Com o passar dos anos, a percepção crítica tornou-se ainda mais favorável. O AllMusic descreve o
álbum como uma obra de guitarras monstruosas, base rítmica densa, vocais frenéticos e uma atmosfera
sombria. Para a publicação,
Iowa é menos comercial que o primeiro disco, mas também mais perturbador
e interessante.

A crítica de 2001 não rejeitou simplesmente Iowa. Ela reconheceu que o disco cumpria com precisão
a promessa de ser mais pesado, sombrio e extremo que o antecessor. A principal objeção era que essa
intensidade vinha acompanhada de pouca variação, sutileza ou progressão musical.


Um sucesso comercial inesperado

Mesmo sendo um álbum extremo e pouco interessado em seguir fórmulas radiofônicas, Iowa alcançou
resultados comerciais expressivos. O disco chegou ao primeiro lugar da parada oficial de álbuns do Reino
Unido e também atingiu o terceiro lugar da Billboard 200 nos Estados Unidos.
O desempenho mostrou que havia um público enorme disposto a abraçar uma banda que não pretendia
suavizar sua música. O Slipknot não precisou abandonar sua identidade para alcançar as paradas: pelo
contrário, foi justamente sua abordagem agressiva, visual caótico e honestidade emocional que ajudaram
a consolidar sua importância.


25 anos depois

Em 2026, Iowa continua sendo lembrado não apenas como um dos álbuns mais pesados do Slipknot, mas
como um documento de uma fase em que a banda estava no limite. Sua força vem justamente dessa
sensação de perigo e desconforto. O disco não soa como um produto cuidadosamente calculado; ele soa
como algo que precisava ser expelido.
É por isso que músicas como “People = Shit”, “Disasterpiece”, “The Heretic Anthem”, “Left Behind” e “My
Plague” continuam conectando o Slipknot a diferentes gerações de fãs. Cada uma apresenta uma faceta do
álbum: a raiva, a paranoia, a solidão, a melodia e a necessidade de transformar sofrimento em som.
Iowa talvez não seja um álbum fácil. Ele é longo, abrasivo, repetitivo em alguns momentos e
deliberadamente desconfortável. Mas essa também é sua maior qualidade. O disco nunca tenta parecer
equilibrado ou seguro. Ele permanece fiel à sua própria escuridão.
Depois de 25 anos,
Iowa ainda não perdeu sua capacidade de incomodar. E talvez esse seja o maior sinal
de sua importância: enquanto muitos álbuns de sua época ficaram presos à nostalgia, o segundo disco do
Slipknot continua soando como uma experiência física, intensa e viva.


Corey Taylor

IOWA

IOWA

IOWA

IOWA

DISASTERPIECES

DISASTERPIECES

LEFT BEHIND


LEFT BEHIND

MY PLAGUE


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THE HERETIC ANTHEM



THE HERETIC ANTHEM

JOEY JORDISON


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