Jim Root - Slipknot, Motocicletas e a Vida Criativa - 14/07/26 (legendado Brasil)

Jim Root - Slipknot, Motocicletas e a Vida  Criativa 140726 (legendado Brasil)

Jim Root - Slipknot, Motocicletas e a Vida Criativa - 14/07/26 (legendado Brasil)



14/07/26
               
Jim Root — Slipknot, Motorcycles & the Creative Life


A Direção Criativa do Slipknot

Jim Root descreveu o momento atual da banda como o mais coeso e positivo em muitos
anos. Um dos principais impulsionadores desse sentimento é a turnê comemorativa do 25º
aniversário do álbum de estreia autointitulado, lançado em 1999.


Root explicou que a decisão de tocar o álbum de 1999 na íntegra obrigou a banda a se
reconectar com sua energia original. A intenção atual do Slipknot é se afastar das direções
"superproduzidas" ou excessivamente experimentais que marcaram os últimos discos para
recapturar um som cru e visceral.


O guitarrista enfatizou que a comunicação entre os
membros atingiu um nível sem precedentes, destacando um renovado senso de propósito
e a ausência das tensões internas que afetaram ciclos anteriores.


"Estamos voltando para aquela coisa crua e visceral. O disco de 1999 era tudo sobre
energia e fricção. Estamos tentando encontrar essa fricção novamente, mas de uma
forma saudável."
Jim Root


A Integração de Eloy Casagrande

A entrada do baterista brasileiro Eloy Casagrande (ex-Sepultura) no Slipknot em 2024 é
vista por Root como um ponto de virada crucial para a performance ao vivo e o futuro
criativo da banda.

Root expressou uma profunda admiração pela técnica e dedicação de
Casagrande.

O guitarrista descreveu Eloy como um talento de classe mundial e uma "fera", elogiando
seu ritmo impecável e a "pesadez" (heavy-handedness) que ele traz, a qual se encaixa
perfeitamente na sonoridade do Slipknot. Root revelou que Eloy foi o primeiro baterista
com quem eles fizeram uma jam session que "simplesmente pegou o espírito" (just got it) imediatamente. O baterista havia aprendido uma quantidade massiva do repertório antes mesmo de se apresentar, demonstrando um nível de dedicação que impressionou toda a banda.

O impacto da bateria de Casagrande foi tão significativo que Root admitiu que o baterista o
forçou, assim como ao guitarrista Mick Thomson, a "elevarem o nível de suas
performances", dada a intensidade da energia que provém do palco para a bateria

"Ele é um baterista fenomenal. Ele tem esse poder e esse balanço que não tínhamos há
muito tempo. É como se ele estivesse na banda há vinte anos. Ele simplesmente se
encaixa."
Jim Root


O Novo Álbum e o Processo de Escrita

Durante a entrevista, Root confirmou que a banda está ativamente trabalhando em novo
material para o que será o oitavo álbum de estúdio do Slipknot. Ele descreveu as novas
demos como "pesadas, sombrias e agressivas". A banda deseja se afastar dos elementos
que Root categorizou como "Pink Floyd-ish" presentes no álbum
The End, So Far (2022) e
retornar à densidade rítmica e caótica encontrada em
Iowa e no álbum 
autointitulado.

Root relatou que tem escrito extensivamente em seu estúdio caseiro na Flórida. O processo
de composição agora é mais colaborativo, com ideias sendo trocadas entre ele, Shawn
"Clown" Crahan e Eloy Casagrande. O guitarrista revelou que a banda já acumulou "pelo
menos 50" ideias de músicas e que eles costumam fazer
jam sessions de até duas horas,
extraindo cerca de quatro ideias de canções a cada sessão.


"Eu tenho muitos riffs. Eles são agressivos, são pesados e são muito Slipknot. Nós não
estamos tentando reinventar a roda agora; estamos tentando afiar as lâminas."
Jim
Root


A banda não está com pressa para o lançamento e deseja garantir que a "vibe" esteja
exatamente certa antes de iniciar a gravação definitiva. Root também expressou o desejo
de lançar um single ou um EP antes do álbum completo para satisfazer os fãs enquanto o
processo criativo avança.


O Novo Produtor: Matt Wallace

Uma das revelações mais significativas da entrevista foi a escolha do produtor para o
próximo álbum. Jim Root anunciou que a banda está gravando o novo material com 
Matt 
Wallace 
produtor lendário conhecido por seu trabalho com a banda Faith No More.

Root expressou uma frustração com a produção moderna de metal "alinhada à grade" (gridaligned), que remove as imperfeições humanas. Ele buscou um produtor capaz de capturar a energia ao vivo da banda sem super-sanitizar o som.

A escolha de Matt Wallace, que
tem uma longa história de produção de álbuns brutos e orgânicos (como
The Real Thing e
Angel Dust do Faith No More), reflete o desejo do Slipknot de permitir um "puxa e empurra" natural no tempo da música, fazendo com que o disco tenha a sensação de uma
performance ao vivo.


"Eu quero que soe como uma banda em uma sala. Estou cansado de tudo estar perfeito e
conectado à grade. Eu quero a sujeira. Eu quero os erros."
Jim Root


Root descreveu o trabalho em estúdio com Wallace e a nova formação como
"assustadoramente orgânico", afirmando que é o mais próximo que já ouviu da música que
ele consegue imaginar em sua mente.


A Paixão por Motocicletas e o Esgotamento Criativo

A entrevista também explorou a vida pessoal de Root, com grande parte do tempo
dedicada à sua paixão por motocicletas. O guitarrista falou extensivamente sobre sua
coleção de Harleys e como pilotar é sua principal forma de "descomprimir" do caos das
turnês. Ele vê o trabalho mecânico nas motos como uma saída criativa semelhante à escrita
de riffs.

De forma mais pessoal e vulnerável, Root falou sobre suas lutas passadas com
depressão e esgotamento criativo (burnout). Ele admitiu que, durante um período, sentiu se "desconectado" de sua guitarra. No entanto, ele credita a nova formação, especialmente
a energia trazida por Casagrande, e a turnê do 25º aniversário por reacender sua paixão
pelo instrumento e pelo processo criativo.

"Pilotar é o único momento em que meu cérebro se cala. Quando você está em uma
moto, você tem que estar presente. É o mesmo que estar no palco — se você perder o
foco, você está com problemas."
— Jim Root




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